Artigo de Lívio Giosa - sócio-diretor da NETCOMMERCE Marketing e Eventos

A revolução transformatória pelo esporte

O Brasil vive um momento singular. Diante dos acontecimentos econômicos e o potencial de crescimento, nossa nação está sob o olhar do mundo. Se antes éramos despercebidos e só um fato relevante nos colocava à cena dos noticiários, hoje, no entanto, somos alvo permanente, desejados a conhecer e centro de muitas decisões, principalmente de investimentos.

O aumento significativo da renda, nos últimos cinco anos, apontou também a cada um de nós na busca das empresas em busca permanente pelos consumidores. Mas nada disto superou os fatos relevantes que colocaram nosso país no centro da percepção mundial: as conquistas para sediar a Copa do Mundo em 2014 e as Olimpíadas em 2016.

Comprovadamente, são os acontecimentos com maior “mídia” e com o máximo de volume de interesse pelo conjunto da população de todo o planeta. Com a imagem projetada por todos os cantos, o Brasil atingiu outro nível, subiu a escada da celebridade e agora virou o centro de interesse internacional. As nações se voltam ao Brasil e aguardam que nos preparemos para atender esta expectativa.

A constatação, no entanto, nos leva a uma reflexão inconteste e ao inevitável questionamento: estamos realmente preparados para atender ao esperado e cumprir com a nossa responsabilidade? Do ponto de vista estratégico, a “cultura” do esporte no Brasil ainda não se consolidou. Faltam políticas públicas sérias e permanentes capazes de formar uma consciência por gerações que construam o valor do esporte em vários campos: o social, a saúde, a qualidade de vida, o alto rendimento, a segurança, a educação, a liderança, a visão e espírito de equipe, o legado, o investimento, o desenvolvimento econômico, a gestão.

Para cada um destes termos, pode-se descrever inúmeras práticas que demonstrarão os efeitos do esporte como agente transformador da sociedade. Há um cálculo mundial, nesta direção, que monetoriza o investimento no esporte enquanto política pública: para cada 1 dólar aplicado no esporte, a autoridade pública deixa de aplicar 4 dólares em saúde e 8 dólares em segurança.

Práticas coletivas de atividade física, por exemplo, há muito já comprovadas, protagonizadas pelos idosos lhes garantem qualidade de vida e muitos anos de convivência e saúde. Tudo começa, na verdade, com o orçamento. Aqui o último valor orçamentário nas esferas federal, estadual e municipal está vinculado ao esporte. Para se alcançar, minimamente, qualquer processo de ativação e percepção do esporte para o conjunto da sociedade, há que se investir. Portanto, a base deste investimento tem que partir de 1% do orçamento público! Esta tem que ser a primeira conquista que a sociedade brasileira deverá objetivar. Aí sim, as mudanças começarão a aparecer pelo potencial de ações que poderão ser implementadas.

As crianças e os jovens sairão das ruas e o “gol” social será relevante pelo valor da cidadania garantida, o rendimento escolar melhorará, doenças crônicas minimizarão em todas as camadas da população e faixas etárias e as pessoas tenderão a atingir um grau de felicidade maior propiciada pela atividade física.
Além disto, os melhores poderão ser atraídos pelo esporte de alto rendimento, valorizando seu potencial competitivo e gerando apoios econômicos certos.

As características urbanas definirão esta nova dimensão: incentivo às ciclovias, parques e praças providas de equipamentos esportivos, parcerias com a iniciativa privada construindo “academias populares ao ar livre”, fomentando-se, assim, um modelo virtuoso de se lidar com o corpo e a mente. Os resultados serão percebidos facilmente pelo melhor rendimento escolar, menos doentes internados, queda dos indicadores de insegurança, a aplicação de recursos em toda a cadeia produtiva do esporte gerando investimentos, emprego e renda para uma boa parcela da sociedade.

Isto é um sonho, uma provocação ou uma constatação?
Vale a pena percorrermos os olhos nos países que incentivaram o esporte e a atividade física e verificar o legado deixado às gerações. Temos, assim, ancorados nos dois maiores eventos esportivos mundiais, uma enorme possibilidade de aproveitarmos estes momentos para declararmos o esporte como o grande instrumento de transformação do país. Será possível no Brasil? Há vontade política para tal? Os fatos, a partir de agora, ditarão estas respostas.